Pesquisa confirma superioridade do IC em pacientes com perdas unilaterais ou assimétricas

Arndt et al. estudaram um grupo de 85 indivíduos, implantados a partir de 2008, em uma clínica de Freibourg, na Alemanha. Antes dessa pesquisa, a literatura contava apenas com estudos baseados em números reduzidos de pacientes.

De acordo com os pesquisadores, o maior grupo de pacientes implantados com perdas unilaterais e avaliados segundo o critério de compreensão de fala em ambiente ruidosos foi o de Távora-Vieira et al. (*), com 28 sujeitos.

Além de uma capacidade reduzida de localização sonora, a população com perdas assimétricas ou unilaterais apresenta dificuldades de compreensão de fala, quando o sinal vem do lado da orelha acometida e quando há ruído competitivo, condições que podem gerar fadiga e influenciar fatores psicossociais como autoestima e confiança, lembram os autores.

Os autores do estudo avaliaram 45 pacientes com perda unilateral severa a profunda (limiares da melhor orelha ≤ 30 dB HL até 4 kHz) e 40 com perda assimétrica (limiares da melhor orelha ≤ 60 dB HL e > 30 dB HL para uma ou mais frequências até 4 kHz, e uma assimetria interaural > 30 dB HL), ambos os grupos apresentando perdas pós-linguais.

Logicamente, os resultados comprovam compreensão de fala no ruído significativamente melhor com implante coclear em comparação com a condição monoaural. Houve, também, melhora na habilidade de localização sonora com uma redução do erro de ângulo, o que corrobora os resultados da literatura, encontrados em coortes menores de pacientes, e mostra um certo restabelecimento da binauralidade.

Sobretudo, pela primeira vez, os pesquisadores compararam o desempenho desses pacientes com a utilização dos sistemas CROS ou condução óssea por softband, antes da cirurgia, com os resultados obtidos pós-implante. Para os dois grupos (perdas unilaterais e perdas assimétricas), as performances em termos de compreensão de fala com implante coclear superam aquelas com os dois tratamentos tradicionais, enquanto não houve diferença significativa comparando-se os sistemas CROS e condução óssea.

Outra conclusão do estudo foi que o tempo da surdez não influenciou os resultados com implante coclear.

(*) Cochlear implantation for unilateral deafness with and without tinnitus: a case series. Távora-Vieira et al., Laryngoscope123(5):1251–1255 (2013)

Fonte: Cochlear implant treatment of patients with single-sided deafness or asymmetric hearing loss. Arndt et al. HNO. 2017 Feb 10.

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