Pesquisas sobre tratamentos para perdas unilaterais e assimétricas ganham protocolo

Apesar de estudos recentes mostrarem as vantagens do implante coclear em perdas unilaterais e em perdas assimétricas, de graus severo a profundo, no que diz respeito à percepção de fala e localização sonora, a literatura ainda necessita de maior nível de evidência em razão da sua heterogeneidade clínica.

Essa heterogeneidade, observada particularmente nos períodos de follow-up e nos testes utilizados para avaliar os resultados, prejudica as possibilidades de comparação entre as diferentes opções de atendimento, que são os sistemas (bi)CROS, as próteses ancoradas no osso, os implantes cocleares (ICs), e a ausência de tratamento.

Para incentivar uma maior homogeneidade científica, um grupo de 39 pesquisadores publicou um protocolo voltado às pesquisas que objetivam a avaliação da eficácia de uma ou várias dessas opções.

Essas diretrizes de medições mínimas, visando mostrar benefícios e desvantagens dos tratamentos, foram elaboradas na ocasião de dois encontros: o primeiro em 2015, na China (10th Asia Pacific Symposium on Cochlear Implant and related Science), e o segundo em 2016, no Canadá (14th International Conference on Cochlear Implant and Other Implantable Technologies).

Em primeiro lugar, o painel de cientistas recomenda que as medições sejam coletadas a cada um dos seguintes intervalos: antes do início de qualquer tratamento (baseline), após cada período de teste de sistemas (bi)CROS e condução óssea por softband, e depois de 01, 03, 06 e 12 meses subsequentes à ativação do IC ou ausência de tratamento.

Em termos de dados audiológicos, além dos limiares de tom puro (em 0,5; 1; 2 e 4kHz), o grupo recomenda os registros da percepção de fala no ruído, buscando comparar benefícios da binauralidade (somação binaural, efeito “Squelch”, efeito sombra da cabeça) e da capacidade de localização sonora (usando estímulos de várias intensidades e frequências, e caixas de som a uma distância de 1,5 m do sujeito).

A qualidade de vida deve ser aferida por meio dos instrumentos SSQ – Speech, Spatial, and Qualities of Hearing (adaptado culturalmente para o português brasileiro em 2015) e pelo Health Utilities Index Mark 3 (traduzido e adaptado para o português brasileiro em 2005).

Além dessas pesquisas, o grupo recomenda ainda o emprego de um critério de uso diário do dispositivo, definido tanto com base em questionário de horas de uso quanto em opções técnicas como a função de datalogging.

Fonte: Towards a Unified Testing Framework for Single-Sided Deafness Studies: A Consensus Paper. Van de Heyning et al.. Audiol Neurootol. 2016;21(6):391-398.

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