No Brasil, protetores auditivos para o público em geral são pouco acessíveis

Num período em que vem crescendo o número de ações visando conscientizar a população sobre as consequências negativas da exposição a níveis sonoros de forte intensidade, os profissionais do país se queixam da ausência de protetores auriculares em farmácias e supermercados.

No país, a iniciativa que mais contribui para divulgar os riscos decorrentes desta exposição e que tem incentivado mais profissionais a se envolverem com esta causa é o Dia Internacional da Conscientização sobre o Ruído. Organizado desde 2008 no Brasil, suas dez edições contaram com centenas de ações de uma ponta a outra do território nacional.

Outra ‘oferta’ em termos de estratégias de prevenção aos danos provocados por intensidades sonoras elevadas é o ‘Dangerous Decibels Brasil’ (DDB), programa educativo inicialmente desenvolvido nos Estados Unidos, e que conta, desde 2016, com tutores nacionais habilitados para aplicar seus princípios e capacitar outros profissionais.

Entre os maiores preceitos que o Dangerous Decibels busca difundir está a preservação dos ouvidos por meio de proteções auditivas, sempre que isso se faz necessário. Infelizmente, essas não são facilmente encontradas. O primeiro obstáculo é a falta de proteções voltadas, mais especificamente, para o público em geral. “Aqui o que temos disponível são, em sua maioria, de uso ocupacional, encontradas em sites específicos e lojas de ferramentas ou de segurança do trabalho... Isso dificulta em muito conseguirmos criar uma “cultura” para o uso de protetores”, avalia a otorrinolaringologista Lys Gondim, uma das primeiras tutoras habilitadas pelo DDB, e que idealizou o “EducaSOM - Decibéis do Bem”, um projeto educativo em saúde auditiva que envolve as práticas culturais dos jovens relacionadas ao som e à música.

Voltados para setores profissionais expostos a fontes de ruído, os produtos comercializados no Brasil não são disponibilizados, corriqueiramente, em estabelecimentos comerciais. Para a Coordenadora do DDB, a fonoaudióloga Adriana Bender Moreira de Lacerda, essa falta prejudica as ações de conscientização, particularmente no caso da população pediátrica. “De nada adianta sugerir o uso se o acesso é difícil, esse produto deveria estar disponível para compra em mercados, farmácias, lojas e outros estabelecimentos comerciais; nos Estados Unidos, Europa e Canadá, por exemplo, os protetores auriculares para bebês e crianças, estão disponíveis na sessão infantil, em grandes lojas de departamentos, o que incentiva o uso e favorece a prevenção da perda auditiva induzida por níveis elevados de pressão sonora”, salienta Adriana.

Não percam a próxima edição impressa da Audiology Infos, que será lançada na ocasião do 33º Encontro Internacional de Audiologia (15-17 de março), e que apresentará um dossiê sobre ruído e aprofundará a questão da disponibilidade das proteções auditivas.